terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Uma certa reflexão



 Hoje, a conselho de uma professora de sociologia, entrei em contato com o pensamento de um filósofo esloveno chamado Slavoj Žižek (pronuncia-se “Slavoz Jijek”, mais ou menos). Digo filósofo por que as denominações “sociólogo”, “crítico literário” ou alguma outra soariam muito limitadas para seu trabalho. Curiosamente, como eu me lembrei há algumas horas, meu professor de filosofia do 3º ano do Ensino Médio fez um comentário sobre o dito-cujo em certa aula em 2008 (não me perguntem por que eu lembro disso).
De toda forma, achei o pensamento dele interessante – para usar um termo neutro – e, talvez mais importante, bastante incisivo. Para efeitos comparativos, imagino que Nietzsche discursaria de maneira semelhante se fosse entrevistado.
Não me aprofundei a respeito de suas ideias, mas certo trecho de uma entrevista sua me deixou bastante reflexivo. Em dado momento, o entrevistador comenta sobre a existência de um filme (não me lembro o nome) em que um artista ficava preso em uma torre de marfim, símbolo de um afastamento da realidade. Žižek interrompe de pronto, com uma consideração que achei bem engraçada: “A verdadeira torre de marfim é Paulo Coelho.”.
Logo em seguida explica que é perigoso fugir da realidade, ainda mais quando se toma por parâmetro um ser humano envolto m pseudomitificação espiritual. Como ele mesmo diz, por isso e por outras razões é que poetas são perigosos, no sentido de que eles possuem facilidade em instigar ou enterrar ideias, sem necessariamente engajar-se politicamente.
Parece-me que essa é uma verdade dolorosa e não posso deixar de pensar que doravante escrever poemas não será mais a mesma coisa para mim. A partir de hoje,  pensarei com mais cuidado a respeito do escrevo.


3 comentários:

  1. Xpá!

    Mas raramente poetas são "só poetas". Esses caras, grupo no qual me incluo, lhe incluo, e creio que quase todos os demais que lerem o comentário, escrevinham "n" outras coisas diferentes também. E, será que a poesia precisa ter mesmo um "engajamento"?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A poesia não necessariamente precisa ser engajada, mas se for, é necessário que tanto o poeta quanto seu público tenham ciência do que estão fazendo. O exemplo que ele dá do poeta sérvio no vídeo é bastante contundente. Poesia é perigosa, mas não necessariamente ruim. Na verdade, é mais perigoso ainda ter um público e, de maneira mais geral, um povo burro.

      Excluir