Resolvi, para desespero
de vários de meus colegas historiadores, brincar um pouco com a questão do amor
e dos números. Não te preocupes, caro leitor, a intenção desse texto não é te
causar indisposição, mas antes abrir teus olhos para um olhar mais amplo sobre
as coisas. Na verdade, para aqueles que não se lembram do cursinho ou fugiram
dessa aula, vai uma pequena dica: conjuntos de números.
Como se sabe, entre os
inúmeros estudiosos do amor, os mais respeitados tendem a considerá-lo um
sentimento pertencente ao conjunto dos positivos, embora haja aqueles que digam
o oposto, enumerando evidências de sua essência negativa e ainda os que digam
que não passa de mais um fantasioso membro do conjunto vazio.
Outra dúvida constante
sobre a essência do amor tem sido a dificuldade de classificá-lo como racional
ou irracional. De fato, sua natureza é tão obscura que os debates vão ainda
mais longe. Será que se pode incluí-lo entre os reais, ou será mais um
imaginário? É difícil responder, pois nem sequer se chegou a um consenso quanto
a ele ser complexo ou não.
Será uma grandeza
escalar? Ou vetorial? Se for vetorial, qual o seu sentido? Qual o seu oposto?
Qual é, para todos os efeitos, o seu inverso?
Bom, pelo menos a essas
últimas perguntas ouso dar um palpite. O amor não pode ser escalar, pois esse
conceito o limita demais. Logo, deve ser vetorial: sua grandeza tende ao infinito
(entenda isso como “suficientemente grande para que não consigamos medir”), sua
direção é o eixo felicidade-tristeza e o sentido é definido, a cada momento,
por ti. Seu oposto é o ódio – sempre com mesma grandeza e direção, mas com
sentido oposto – e o seu inverso é a indiferença.
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