quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O curso da vida


Quatro anos são passados
A julgar pelo cantor
De cujos passos, contados
Vem o som desolador:
Um compasso ritmado
Não sei dizer se de soprano
Ou de um tenor.

É um som peculiar
De timbre único
E é de se esperar
Que mesmo sem causar júbilo
Seja deveras apreciável
Pois, à sua maneira
Faz do velho, memorável
E do novo, surpresa.

Digo-lhes, leitores
Que este velho colega
Lembra-me de muitas dores
Algumas numa bodega
A refletir demasiado sobre a vida
Outras em casa, a pensar numa rapariga.

Quatro longos anos...
Anos de puberdade tardia
Quatro anos levianos
Anos de inédita rebeldia
De singulares fracassos
De sonhos devassos
E, ainda assim, anos vivos
Brindados com valiosos amigos.

Um período singular
Embora aos olhos do Tempo
Seja mais que comum notar
Relatos de singular monotonia de eventos
Até que, em uma eventualidade
O período acaba, deixando saudades.

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