De toda forma, achei o
pensamento dele interessante – para usar um termo neutro – e, talvez mais
importante, bastante incisivo. Para efeitos comparativos, imagino que Nietzsche
discursaria de maneira semelhante se fosse entrevistado.
Não me aprofundei a
respeito de suas ideias, mas certo trecho de uma entrevista sua me deixou
bastante reflexivo. Em dado momento, o entrevistador comenta sobre a existência
de um filme (não me lembro o nome) em que um artista ficava preso em uma torre
de marfim, símbolo de um afastamento da realidade. Žižek interrompe de pronto, com uma
consideração que achei bem engraçada: “A verdadeira torre de marfim é Paulo
Coelho.”.
Logo em seguida explica que é perigoso fugir
da realidade, ainda mais quando se toma por parâmetro um ser humano envolto m
pseudomitificação espiritual. Como ele mesmo diz, por isso e por outras razões
é que poetas são perigosos, no sentido de que eles possuem facilidade em
instigar ou enterrar ideias, sem necessariamente engajar-se politicamente.
Parece-me que essa é uma verdade dolorosa e
não posso deixar de pensar que doravante escrever poemas não será mais a mesma
coisa para mim. A partir de hoje, pensarei
com mais cuidado a respeito do escrevo.
Xpá!
ResponderExcluirMas raramente poetas são "só poetas". Esses caras, grupo no qual me incluo, lhe incluo, e creio que quase todos os demais que lerem o comentário, escrevinham "n" outras coisas diferentes também. E, será que a poesia precisa ter mesmo um "engajamento"?
A poesia não necessariamente precisa ser engajada, mas se for, é necessário que tanto o poeta quanto seu público tenham ciência do que estão fazendo. O exemplo que ele dá do poeta sérvio no vídeo é bastante contundente. Poesia é perigosa, mas não necessariamente ruim. Na verdade, é mais perigoso ainda ter um público e, de maneira mais geral, um povo burro.
ExcluirSem mais.
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