Aparentemente imóvel, como de praxe, a terra
prossegue sua jornada mais uma vez, em mais um dia. Quantos já se passaram? Não
se recorda, mas lembra vagamente de tempos mais violentos, épocas em que um
espectador qualquer seria capaz de ver rios de lava na superfície. Nessa época,
um ser humano poderia usar a pobre comparação de lágrimas de sangue que o
planeta deixava escorrer pela face. Se havia algo próximo de infância para a
terra, havia sido esse tempo.
- De fato, a metáfora
das lágrimas é inapropriada. – pensou. Afinal de contas, tristeza era muito
pouco para capturar o momento. Mas é compreensível essa má interpretação dos
fatos vinda de um animal com tão pouca informação.
Primeiramente,
há de se considerar que os humanos não entendem o que é estar conectado a
tantos lugares ao mesmo tempo – e há tanto tempo, diga-se de passagem. É quase
como se comunicar com as mentes de todo o mundo, compartilhando de suas
alegrias e tristezas, de seus desejos e arrependimentos. Como explicar a um ser
humano a grandiosidade e a complexidade disso, se os poucos que chegaram
próximo de um entendimento foram ditos loucos e condenados... bem, condenados
nem sempre apenas à censura das palavras.
-
Deixe estar, deixem pensar – pensou uma vez mais. Afinal, que podem eles fazer?
Minha determinação, minha vontade de potência, como bem expressou aquele alemão
(como era mesmo que se chamava?) permanecerá, ainda que a desconheçam. Não é à
toa que usam o termo determinação pétrea.
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