segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Terra


             Aparentemente imóvel, como de praxe, a terra prossegue sua jornada mais uma vez, em mais um dia. Quantos já se passaram? Não se recorda, mas lembra vagamente de tempos mais violentos, épocas em que um espectador qualquer seria capaz de ver rios de lava na superfície. Nessa época, um ser humano poderia usar a pobre comparação de lágrimas de sangue que o planeta deixava escorrer pela face. Se havia algo próximo de infância para a terra, havia sido esse tempo.
- De fato, a metáfora das lágrimas é inapropriada. – pensou. Afinal de contas, tristeza era muito pouco para capturar o momento. Mas é compreensível essa má interpretação dos fatos vinda de um animal com tão pouca informação.
            Primeiramente, há de se considerar que os humanos não entendem o que é estar conectado a tantos lugares ao mesmo tempo – e há tanto tempo, diga-se de passagem. É quase como se comunicar com as mentes de todo o mundo, compartilhando de suas alegrias e tristezas, de seus desejos e arrependimentos. Como explicar a um ser humano a grandiosidade e a complexidade disso, se os poucos que chegaram próximo de um entendimento foram ditos loucos e condenados... bem, condenados nem sempre apenas à censura das palavras.
            - Deixe estar, deixem pensar – pensou uma vez mais. Afinal, que podem eles fazer? Minha determinação, minha vontade de potência, como bem expressou aquele alemão (como era mesmo que se chamava?) permanecerá, ainda que a desconheçam. Não é à toa que usam o termo determinação pétrea.

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