A pedido do Roger, vou
fazer algumas considerações sobre o tal Luiz Felipe Pondé, que ele mencionou
como adequado para trabalhar o tema da felicidade humana, quando mencionei que
me sentia satisfeito com minha fé, etc etc etc.
Vi
alguns vídeos do dito-cujo, um deles sugerido pelo próprio Roger, e penso ter
chegado a uma conclusão provisória sobre o pensamento desse filósofo (não
reparem no sobrenome, ele é brasileiro).
Pondé
tem várias ideias que circundam o tema “felicidade”, abordando aspectos
históricos e filosóficos a respeito dessa palavra, dessa ideia, dessa prática.
Descobri que já tinha visto um livro dele em Curitiba em certa ocasião, só não
o comprando por causa do preço, embora o título fosse bastante peculiar: “Contra
um Mundo Melhor”.
Nesse
livro e em vários outros, o filósofo discute seu principal conceito, usado para
definir o mundo atual, ou, de maneira mais categórica, o mundo após 1968: o mundo
da “tirania da felicidade”. Esse termo caracteriza uma série de condições,
principalmente, econômicas e culturais, forjadas para que as pessoas se sintam
pressionadas a buscar a felicidade constante. Para abordar com mais
plasticidade essa ideia, Pondé usa outros autores consagrados, como
Shopenhauer, Kirkegaard e Epicuro, para citar apenas alguns.
De
maneira geral, acho suas considerações bem colocadas. Entretanto, só posso
dizer que elas são incompletas. Ao citar Kirkegaard, Pondé menciona os quatro
meios de se livrar da angústia (momento em que a pessoa percebe que, com ou sem
Deus, a vida não faz sentido), a saber:
1 . Estágio
estético: escapar da angústia sentindo coisas;
2 . Estágio
ético: fazer o papel de “bom”, tornar-se um “cara legal”;
3 . Estágios
religiosos (2):
a. Seguir
os preceitos religiosos cegamente;
b. Desistir
das anteriores e apostar em Deus.
Faltou lembrar que as
pessoas podem passar por experiências anedóticas (isto é, particulares e
não-falseáveis) e, assim, superar a angústia por uma “revelação”, uma
experiência tão marcante que dá uma resposta satisfatória à pessoa. Eu diria
que eu me encaixo em algum lugar entre a 3.b e a 2, mas confesso que minhas
crises de angústia não são particularmente longas e, de maneira particular, a
felicidade não é minha tirana, mas antes, minha visitante.