quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Felicidade


A pedido do Roger, vou fazer algumas considerações sobre o tal Luiz Felipe Pondé, que ele mencionou como adequado para trabalhar o tema da felicidade humana, quando mencionei que me sentia satisfeito com minha fé, etc etc etc.
            Vi alguns vídeos do dito-cujo, um deles sugerido pelo próprio Roger, e penso ter chegado a uma conclusão provisória sobre o pensamento desse filósofo (não reparem no sobrenome, ele é brasileiro).
            Pondé tem várias ideias que circundam o tema “felicidade”, abordando aspectos históricos e filosóficos a respeito dessa palavra, dessa ideia, dessa prática. Descobri que já tinha visto um livro dele em Curitiba em certa ocasião, só não o comprando por causa do preço, embora o título fosse bastante peculiar: “Contra um Mundo Melhor”.
            Nesse livro e em vários outros, o filósofo discute seu principal conceito, usado para definir o mundo atual, ou, de maneira mais categórica, o mundo após 1968: o mundo da “tirania da felicidade”. Esse termo caracteriza uma série de condições, principalmente, econômicas e culturais, forjadas para que as pessoas se sintam pressionadas a buscar a felicidade constante. Para abordar com mais plasticidade essa ideia, Pondé usa outros autores consagrados, como Shopenhauer, Kirkegaard e Epicuro, para citar apenas alguns.
            De maneira geral, acho suas considerações bem colocadas. Entretanto, só posso dizer que elas são incompletas. Ao citar Kirkegaard, Pondé menciona os quatro meios de se livrar da angústia (momento em que a pessoa percebe que, com ou sem Deus, a vida não faz sentido), a saber:
1                .      Estágio estético: escapar da angústia sentindo coisas;
2                .      Estágio ético: fazer o papel de “bom”, tornar-se um “cara legal”;
3                .      Estágios religiosos (2):
a.       Seguir os preceitos religiosos cegamente;
b.      Desistir das anteriores e apostar em Deus.
Faltou lembrar que as pessoas podem passar por experiências anedóticas (isto é, particulares e não-falseáveis) e, assim, superar a angústia por uma “revelação”, uma experiência tão marcante que dá uma resposta satisfatória à pessoa. Eu diria que eu me encaixo em algum lugar entre a 3.b e a 2, mas confesso que minhas crises de angústia não são particularmente longas e, de maneira particular, a felicidade não é minha tirana, mas antes, minha visitante.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O curso da vida


Quatro anos são passados
A julgar pelo cantor
De cujos passos, contados
Vem o som desolador:
Um compasso ritmado
Não sei dizer se de soprano
Ou de um tenor.

É um som peculiar
De timbre único
E é de se esperar
Que mesmo sem causar júbilo
Seja deveras apreciável
Pois, à sua maneira
Faz do velho, memorável
E do novo, surpresa.

Digo-lhes, leitores
Que este velho colega
Lembra-me de muitas dores
Algumas numa bodega
A refletir demasiado sobre a vida
Outras em casa, a pensar numa rapariga.

Quatro longos anos...
Anos de puberdade tardia
Quatro anos levianos
Anos de inédita rebeldia
De singulares fracassos
De sonhos devassos
E, ainda assim, anos vivos
Brindados com valiosos amigos.

Um período singular
Embora aos olhos do Tempo
Seja mais que comum notar
Relatos de singular monotonia de eventos
Até que, em uma eventualidade
O período acaba, deixando saudades.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Uma certa reflexão



 Hoje, a conselho de uma professora de sociologia, entrei em contato com o pensamento de um filósofo esloveno chamado Slavoj Žižek (pronuncia-se “Slavoz Jijek”, mais ou menos). Digo filósofo por que as denominações “sociólogo”, “crítico literário” ou alguma outra soariam muito limitadas para seu trabalho. Curiosamente, como eu me lembrei há algumas horas, meu professor de filosofia do 3º ano do Ensino Médio fez um comentário sobre o dito-cujo em certa aula em 2008 (não me perguntem por que eu lembro disso).
De toda forma, achei o pensamento dele interessante – para usar um termo neutro – e, talvez mais importante, bastante incisivo. Para efeitos comparativos, imagino que Nietzsche discursaria de maneira semelhante se fosse entrevistado.
Não me aprofundei a respeito de suas ideias, mas certo trecho de uma entrevista sua me deixou bastante reflexivo. Em dado momento, o entrevistador comenta sobre a existência de um filme (não me lembro o nome) em que um artista ficava preso em uma torre de marfim, símbolo de um afastamento da realidade. Žižek interrompe de pronto, com uma consideração que achei bem engraçada: “A verdadeira torre de marfim é Paulo Coelho.”.
Logo em seguida explica que é perigoso fugir da realidade, ainda mais quando se toma por parâmetro um ser humano envolto m pseudomitificação espiritual. Como ele mesmo diz, por isso e por outras razões é que poetas são perigosos, no sentido de que eles possuem facilidade em instigar ou enterrar ideias, sem necessariamente engajar-se politicamente.
Parece-me que essa é uma verdade dolorosa e não posso deixar de pensar que doravante escrever poemas não será mais a mesma coisa para mim. A partir de hoje,  pensarei com mais cuidado a respeito do escrevo.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Terra


             Aparentemente imóvel, como de praxe, a terra prossegue sua jornada mais uma vez, em mais um dia. Quantos já se passaram? Não se recorda, mas lembra vagamente de tempos mais violentos, épocas em que um espectador qualquer seria capaz de ver rios de lava na superfície. Nessa época, um ser humano poderia usar a pobre comparação de lágrimas de sangue que o planeta deixava escorrer pela face. Se havia algo próximo de infância para a terra, havia sido esse tempo.
- De fato, a metáfora das lágrimas é inapropriada. – pensou. Afinal de contas, tristeza era muito pouco para capturar o momento. Mas é compreensível essa má interpretação dos fatos vinda de um animal com tão pouca informação.
            Primeiramente, há de se considerar que os humanos não entendem o que é estar conectado a tantos lugares ao mesmo tempo – e há tanto tempo, diga-se de passagem. É quase como se comunicar com as mentes de todo o mundo, compartilhando de suas alegrias e tristezas, de seus desejos e arrependimentos. Como explicar a um ser humano a grandiosidade e a complexidade disso, se os poucos que chegaram próximo de um entendimento foram ditos loucos e condenados... bem, condenados nem sempre apenas à censura das palavras.
            - Deixe estar, deixem pensar – pensou uma vez mais. Afinal, que podem eles fazer? Minha determinação, minha vontade de potência, como bem expressou aquele alemão (como era mesmo que se chamava?) permanecerá, ainda que a desconheçam. Não é à toa que usam o termo determinação pétrea.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Amor numérico


Resolvi, para desespero de vários de meus colegas historiadores, brincar um pouco com a questão do amor e dos números. Não te preocupes, caro leitor, a intenção desse texto não é te causar indisposição, mas antes abrir teus olhos para um olhar mais amplo sobre as coisas. Na verdade, para aqueles que não se lembram do cursinho ou fugiram dessa aula, vai uma pequena dica: conjuntos de números.
Como se sabe, entre os inúmeros estudiosos do amor, os mais respeitados tendem a considerá-lo um sentimento pertencente ao conjunto dos positivos, embora haja aqueles que digam o oposto, enumerando evidências de sua essência negativa e ainda os que digam que não passa de mais um fantasioso membro do conjunto vazio.
Outra dúvida constante sobre a essência do amor tem sido a dificuldade de classificá-lo como racional ou irracional. De fato, sua natureza é tão obscura que os debates vão ainda mais longe. Será que se pode incluí-lo entre os reais, ou será mais um imaginário? É difícil responder, pois nem sequer se chegou a um consenso quanto a ele ser complexo ou não.
Será uma grandeza escalar? Ou vetorial? Se for vetorial, qual o seu sentido? Qual o seu oposto? Qual é, para todos os efeitos, o seu inverso?
Bom, pelo menos a essas últimas perguntas ouso dar um palpite. O amor não pode ser escalar, pois esse conceito o limita demais. Logo, deve ser vetorial: sua grandeza tende ao infinito (entenda isso como “suficientemente grande para que não consigamos medir”), sua direção é o eixo felicidade-tristeza e o sentido é definido, a cada momento, por ti. Seu oposto é o ódio – sempre com mesma grandeza e direção, mas com sentido oposto – e o seu inverso é a indiferença.

sábado, 15 de dezembro de 2012

A (d)existência da fé


Suponho que todos que estão lendo esse texto já se fizeram pensar, ao menos uma vez na vida, a respeito da existência de Deus. Como vocês sabem, é uma experiência bastante particular e peculiar, qualquer que tenha sido o resultado dessa reflexão.
Em meu caso, as primeiras reflexões foram as mais traumáticas, simplesmente por que eu não conseguia lidar com o “benefício da dúvida”. Curiosamente, no entanto, nunca me senti propenso a não acreditar que Deus (aqui pensado em um sentido mais amplo e vago) e, aos poucos, os resultados desses questionamentos foram se estabilizando em torno de uma ideia mais... líquida, por assim dizer (gosto da analogia por que é difícil de bater de frente com a água, por exemplo).
Essa “resposta” que me satisfez é simples: meu código moral, bastante influenciado pelo pensador Immanuel Kant, é satisfeito e, quiçá, complementado pela ideia de um Deus panteísta, isto é, uma entidade não apenas boa ou má, mas simplesmente tudo. Estou contente ao ser uma extensão mínima desse Deus e fico contente por esse Deus ser também uma extensão, uma extrapolação de minha mente. Não é a felicidade o objetivo de todos?
Gostaria finalizar com o vídeo de uma recitação de certo poema de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, que de alguma maneira encontrou palavras para expressar o que sinto, embora eu duvide que o poema vá significar a mesma coisa para vocês.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Comunicado


Nosso cérebro é uma droga. Isso a gente já está cansado de saber. Na verdade, já que esse rugoso e seboso companheiro nosso de cada dia mereceria um epíteto mai carinhoso, se me permitem: um grande e convicto troll.
            Podemos ser elogiados por nossa capacidade sobre-humana de guardar informações e conectar teorias complexas, mas na hora de encontrar a droga do pendrive pra copiar uns arquivos demoramos quase uma hora para encontrá-lo (na máquina de lavar roupa, pois ele foi esquecido no bolso da calça). Ou podemos ter dezenas de ideias fantásticas durante um sonho e esquecer do sonho ao acordar (porém sabendo que o sonho foi foda). Ou ainda escrever um romance em um mês para depois ficar dois anos sem escrever uma anedota. Enfim, cada caso é um caso e meu cérebro acabou de me trollar me fazendo esquecer mais algum exemplo interessante.
            Enfim, voltando ao assunto. Os objetivos dessa publicação são três:

1.      Informar que, a partir de amanhã (15/12) até o dia 20/12 (sexta), inclusive, serão publicados posts diários, tendo em mente a compensação ao longo hiato em que o blog ficou jogado às traças;

2.      Se tudo der certo, o último post será um vídeo (o assunto é surpresa);

3.      Por favor, já que meu colega craniano acha a expressão hiato criativo bastante bonita e elegante, gostaria de lançar a saudável sugestão de que vocês me mandem ideias para os próximos posts (pode ser anônimo, não tem problema, é só postar nos comentários).