segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Atão, queres ouvir algo?

                  Véi, na boa, eu prefiro usar textos de minha autoria neste blog, mas curti demais esta música do grupo português Anaquim (nesta música acompanhado pela cantora Ana Bacalhau). A letra, em particular, fez-me sorrir algumas vezes. Espero que gostem de igual maneira desta música.


O meu coração é um viajante
Que se entrega num instante
Por ai a onde for
Acha que sabe bem o que eu preciso
Prende-se a qualquer sorriso
Sem motivos de maior
O meu coração é inocente
Pensa que a vida é um mar de rosas
Mas eu que vi espinhos em toda a gente
Afasto essas certezas duvidosas
O meu coração é um bicho muito estranho
Que se esconde e não responde a quem chamar
Alérgico ao exterior vive na toca
Onde se esconde e sufoca por não ver entrar o ar
O meu coração vive trancado
Diz que atirou a chave ao mar
E eu que a procurei por todo o lado
Só me resta assim continuar
Coração triste
Não me arrastes em teu passo
Meu corpo insiste em decidir o que faço
Se eu vir que sim tu diz que não
Eu cá vou bem sem coração
Entre o morrer de amor e viver nesta prisão
Coração louco
Não me imponhas o teu vicio
Que a pouco e pouco vou cedendo ao sacrifício
É que eu sei bem que se acordares
E procurares por ai
Encontras outro coração para ti
Já encontraste?
Demoras muito ou quê?
O meu coração é uma criança
Ansiosa pela dança de quem lhe estender a mão
Mas este é caprichoso, inclusivo
Analista compulsivo que não chega à conclusão
O meu coração segue as novelas
Jubila com as falas das atrizes
O meu carrega histórias de mazelas
E afasta-se desses finais felizes
Coração triste
Não me arrastes em teu passo
Meu corpo insiste em decidir o que faço
Se eu vir que sim tu diz que não
Eu cá vou bem sem coração
Entre o morrer de amor e viver nesta prisão
Coração louco
Não me imponhas o teu vicio
Que a pouco e pouco vou cedendo ao sacrifício
É que eu sei bem que se acordares
E procurares por ai
Encontras outro coração para ti
Falei primeiro a bem por ser assunto de respeito
Mas não me deu ouvidos, prosseguiu naquele jeito
Mudei para as ameaças
Tentei que usasse a razão
Mas é palavra estranha pro meu pobre coração
Farta desses maus tratos fiz as malas e parti
E logo te encontrei com o mesmo modo que eu sofri
A mesma frustração
A mesma pose o mesmo olhar
E em teu toque senti no meu corpo outro pulsar
Juntos rimos de tudo
Só choramos nas novelas
Fingimos ser crianças e dançamos como elas
Perdemos noite e dia e entre histórias e canções
Juntamos nomes, gostos e moradas
E quase sem dar por nada
Encontramos corações
Coração triste
Não me arrastes em teu passo
Meu corpo insiste em decidir o que faço
Se eu vir que sim tu diz que não
Eu cá vou bem sem coração
Entre o morrer de amor e viver nesta prisão
Coração louco
Não me imponhas o teu vicio
Que a pouco e pouco vou cedendo ao sacrifício
É que eu sei bem que se acordares
E procurares por ai
Encontras outro coração para ti

sábado, 17 de novembro de 2012

O amante é cego



            Novamente pressionado pelo nem tão querido companheiro que responde pelo nome de cérebro, decidi pensar um pouco mais sobre o famoso clichê “O amor é cego.”.
            De fato é uma frase que se verifica de tempos em tempos, pelo menos metaforicamente, mas podemos mudar nossa perspectiva para observar um caso bastante real de amor: o do cego.
Como será que um cego de nascença percebe o amor? Será que seu sentimento é ainda mais genuíno que o habitual, já que ele não pode ser “trapaceado” pela beleza do outro? Não faço a menor idéia, mas gosto de pensar que, de fato, há vezes em que a visão só nos limita, nos impede de perceber... outras coisas. A voz suave de uma pessoa querida, um cheiro familiar, o calor de um abraço e assim por diante.
               É nesse espírito que aqui deixo um poema que me agradou deveras, embora seja um pouco triste, de autoria de Paulo Felicíssimo Ferreira, poeta e pensador cego.
 
DESPEDIDA

 Foi bem assim a nossa despedida:
 Partimos, juntos, da singela rua,
 Que minha alma enlaçar-se viu na tua,
 Ambas, então, fundidas numa vida.

  Do tempo a veloz marcha era incontida;
 Qual barco errante, que no mar flutua,
 Minha existência, de esperanças nua,
 Ao sopro da ilusão foi sacudida!

 Entre o amor e o dever, eu, indeciso,
 Sentia que partir era preciso,
 Mas, querendo ficar, tornei-me mudo.

 Tomei da mão pequena que me deste
 E se, sorrindo, nada me disseste,
 Eu, nem chorando, te diria tudo!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Enquanto isso, em Cascavel



Tudo bem, eu sei que já fiz uma postagem criticando as generalizações e tudo o mais, mas sátiras e críticas se tornam, a meu ver, mais interessantes quando se consegue usar algumas ferramentas da língua portuguesa, seja a generalização, a hipérbole, ou o que convenha ao momento. É isso que tira um pouco a seriedade do texto e nos permite algumas abstrações interessantes.
Não sei quanto a vocês, mas para mim é deprimente passar por uma feira de livros e não encontrar UM sequer que me atraia e me incentive a comprá-lo. Pra ser franco, isso está acontecendo com uma frequência preocupante comigo ultimamente e me forço a perguntar qual o sentido dessa situação. Usando de um pouco de liberdade literária, resolvi elaborar uma hipótese simples e que, se correta, demonstra um contexto social repreensível.
Autores bons não são raros, mas editoras grandes o são. Logo, embora haja muitos livros bons, há poucos que podem ser publicados a bons preços. Feiras de livros oferecem livros baratos, mas livros baratos não são comuns. Logo, feiras de livros oferecem poucos livros. Livros baratos não são comuns e livros bons em geral não são baratos, logo livros bons baratos são raros. Conclusão: livros bons são raros em feiras. Faz sentido? Tirem suas próprias conclusões e, por favor, não levem tão a sério o que eu escrevi. Afinal de contas, a proposta deste espaço é justamente servir de exercício mental a quem quer que o leia (ou escreva, é evidente).

domingo, 28 de outubro de 2012

Cidadania

Cidadania, palavra de origem grega cuja etimologia denuncia um significado próximo a "condição relativa à cidade". Claro, como bem se sabe, palavras tem seu sentido alterado ao longo do tempo e seria equivocado usar a etimologia para expressar as emoções do cidadão contemporâneo. Além disso, não é mais um privilégio (ou seria um ônus?) do habitante das cidades vislumbrar os desdobramentos das relações de poder "democráticas".
Na verdade, desde que me entendo por gente, poucas foram as vezes em que me senti um cidadão, na concepção moderna do termo. De fato, na falta de um termo melhor, sinto-me um "bestializado", como diria José Murilo de Carvalho. Não sinto nem apatia nem tédio frente à situação de minha cidade, meu estado ou minha nação, mas, ainda assim, sinto-me impotente e velho. Como é duro ser brasileiro.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Apenas ao tocá-la

 Já não era possível conter aquele desejo ardente que o vinha assolando há tempos. Ultimamente viera arranjando desculpas para não se aproximar, afinal, havia coisas mais importantes que mereciam prioridade. Não mais - pensou. Não hoje.
Aproximou-se com certo receio, sem saber exatamente o que fazer, esperando como que um sinal para guiá-lo em suas ações. Ela, como de costume, silenciosa a um canto, olhando-o pelo canto do olho, ou pelo menos assim ele pensava. No final, planejar as ações não importava muito.
Os primeiros minutos passaram lentamente, em movimentos fluidos. Se antes havia algo que a envolvesse, agora seu corpo era plenamente visível; as curvas, antes insinuantes, agora delatoras de uma sintonia de que ele próprio mal conseguia se lembrar.
Aos poucos, o que era uma dança estudada e melódica se tornou um frenesi. Movimentos bruscos e cada vez mais velozes geravam gemidos agudos e profundos de sua companheira, cortando o ar da noite cálida. A harmonia já não importava, nada mais importava, até que... num movimento longo e cansado, tudo acabou.
Com um sorriso estampado no rosto, esperou até que seu coração parasse de palpitar tanto. Por fim, recomposto, cobriu-a novamente e a deixou descansando a um canto. Como era bom poder tocar sua rabeca novamente.

domingo, 30 de setembro de 2012

A paz interior



Vida, se és tão bela,
Por que usas maquiagem?
Não percebes? Ainda que a tua vela
Em mim se apague, como numa miragem
Em lance de discórdia e violência
De ti não guardarei rancor.
E nesse meu ser, na minha essência
nada mais que o próprio amor
Encontrarás, se meus ossos leres.
Não prometo o mesmo de outros seres,
Mas desde já eu te digo, seguro:
Por mais que eu me embrenhe no sofrimento

Criando um coração seco, duro
E dilacerado, em nenhum momento
Deixará de existir em meus lábios fechados
Um sorriso escondido, velado.
Com tua rudeza não me enganas,
Pois se usas a máscara da dor
Proteges o incólume frescor
Da sabedoria que emanas.