quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Apenas ao tocá-la

 Já não era possível conter aquele desejo ardente que o vinha assolando há tempos. Ultimamente viera arranjando desculpas para não se aproximar, afinal, havia coisas mais importantes que mereciam prioridade. Não mais - pensou. Não hoje.
Aproximou-se com certo receio, sem saber exatamente o que fazer, esperando como que um sinal para guiá-lo em suas ações. Ela, como de costume, silenciosa a um canto, olhando-o pelo canto do olho, ou pelo menos assim ele pensava. No final, planejar as ações não importava muito.
Os primeiros minutos passaram lentamente, em movimentos fluidos. Se antes havia algo que a envolvesse, agora seu corpo era plenamente visível; as curvas, antes insinuantes, agora delatoras de uma sintonia de que ele próprio mal conseguia se lembrar.
Aos poucos, o que era uma dança estudada e melódica se tornou um frenesi. Movimentos bruscos e cada vez mais velozes geravam gemidos agudos e profundos de sua companheira, cortando o ar da noite cálida. A harmonia já não importava, nada mais importava, até que... num movimento longo e cansado, tudo acabou.
Com um sorriso estampado no rosto, esperou até que seu coração parasse de palpitar tanto. Por fim, recomposto, cobriu-a novamente e a deixou descansando a um canto. Como era bom poder tocar sua rabeca novamente.

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