quarta-feira, 28 de maio de 2014

Solidão

Antes de mais nada, saudações. Já faz algum tempo, não? Há tempos desisti de tentar pedir desculpas por não escrever tanto como antigamente, até por que há tempos já desisti de fazer muitas coisas. A vida tem sido cansativa.
            Esses dias, lendo coisas aleatórias na internet, li uma frase que abriu uma ferida antiga em mim: “Se apaixone quando estiver pronto, não quando estiver solitário.”. Confesso que, na hora, aquilo me machucou bastante.
            Entendo o que a pessoa quis dizer. Não pode ser genuíno um amor surgido apenas de carência, apenas de uma necessidade de ter um ombro amigo em que se possa derramar algumas lágrimas mornas, feliz por poder preencher certo vazio interior. Esse sentimento é falso na medida em que é muito frágil: tão logo passe o vazio interior, passa a razão de ser do “amor”, salvo algumas felizes exceções.
Mas aí é que está a grande questão. É fácil falar uma coisa dessas, mas como fazemos para deixar de ser solitários? Como fazer para saciar adequadamente essa carência cotidiana que torna os dias tão longos, tão eternamente desprovidos de sentido? Eu não sei. Passei a minha vida inteira tentando responder essa pergunta, às vezes conseguindo até esquecê-la, mas, sinceramente, nunca a respondi satisfatoriamente.

Talvez por isso eu seja tão relutante e temeroso de entrar em novos relacionamentos. Como saber se o que sinto por alguém é real? Como saber se não é apenas um reflexo de minha carência? Ao solitário, até os sorrisos mornos e os apertos de mãos frouxos parecem apaixonados e sufocantes.

Um comentário:

  1. vc expressa mto bem seus sentimentos escrevendo, mas é triste

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