Peço, para te contar
Tudo aquilo que sinto,
Três noites de luar,
Noites serenas, de céu limpo.
Uma noite para que me roubes a voz
Ao te contemplar inebriado
E para que, estando os dois a sós,
Eu te ouça com mais cuidado.
Outra noite para que me cegues,
Para que me tires a visão
E assim, um ao outro entregues
Espantemos a solidão.
Na terceira noite, cego de amor
E mudo de alegria
Poderia expressar, sem pudor
Tudo quanto gostaria
É entrando em contato
Com o seu espírito
Que eu, antes sensato
Deixo de ser tímido.
Amar sempre será, para mim,
Um momento de confissão,
Pois não sei dizer, enfim,
Por que te entreguei meu coração.
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