quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A desconfiança da linguagem


            Aqueles que estudam o chamado pós-modernismo talvez estejam familiarizados com o título desse texto, visto que diversos autores da área já tocaram nesse assunto. Entretanto, para aqueles que ainda se perguntam o que significa essa expressão peculiar, peço-lhes que ainda não abandonem o texto. Ainda não.
            Por força de uma votação, fui escolhido orador da minha turma de faculdade para o dia da colação de grau. A princípio, pensei na tarefa como algo banal, fácil de ser efetivada. Aos poucos, todavia, fui percebendo minha incapacidade de trazer à tona um texto que satisfizesse meu desejo de ser capaz de representar todos os matizes de cores do espectro emocional humano, de tal forma a ser fiel à complexidade de fatos a qual se desenrolou nos 4 anos em que realizei o curso.
            Essa incapacidade de achar as palavras corretas, quando aflorada em uma pessoa que se julga boa conhecedora do léxico, é denunciante em certos aspectos e, em outros, indescritível. Aliás, essa palavra é talvez a mais reveladora da desconfiança da linguagem. Se existe uma coisa digna de ser chamada “indescritível”, existe também a sensação de que é injusto ser incapaz de representar, apenas em letras, algo inodoro, incolor, insosso, invisível e inaudível como um sentimento.
            A Palavra não é mais divina e o ser humano passa a olhar desconfiado para aquilo que por tanto tempo venerou como o advento da civilização. É particularmente duro chegar a esse raciocínio de maneira espontânea, sem precisar lê-lo em algum lugar.

Um comentário:

  1. E olha que o fato de escrevermos em versos ou prosa não muda o quadro da dificuldade de expressão pela escrita. Também nada tem a ver com "saber" escrever ou não: parece estar ligado ao sentir e pensar, mas no sentido de exprimir isso. É complicado... As vezes parece que temos uns insights e as coisas fluem, as vezes parece ser o oposto.

    Do ponto de vista de que fala, claro, porque se pensarmos em escrever apenas para o que ouve (lê), aí a coisa fica ainda mais difícil...

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