Aqueles que estudam o chamado pós-modernismo talvez
estejam familiarizados com o título desse texto, visto que diversos autores da
área já tocaram nesse assunto. Entretanto, para aqueles que ainda se perguntam
o que significa essa expressão peculiar, peço-lhes que ainda não abandonem o
texto. Ainda não.
Por
força de uma votação, fui escolhido orador da minha turma de faculdade para o
dia da colação de grau. A princípio, pensei na tarefa como algo banal, fácil de
ser efetivada. Aos poucos, todavia, fui percebendo minha incapacidade de trazer
à tona um texto que satisfizesse meu desejo de ser capaz de representar todos
os matizes de cores do espectro emocional humano, de tal forma a ser fiel à
complexidade de fatos a qual se desenrolou nos 4 anos em que realizei o curso.
Essa
incapacidade de achar as palavras corretas, quando aflorada em uma pessoa que
se julga boa conhecedora do léxico, é denunciante em certos aspectos e, em
outros, indescritível. Aliás, essa palavra é talvez a mais reveladora da
desconfiança da linguagem. Se existe uma coisa digna de ser chamada “indescritível”,
existe também a sensação de que é injusto ser incapaz de representar, apenas em
letras, algo inodoro, incolor, insosso, invisível e inaudível como um
sentimento.
A
Palavra não é mais divina e o ser humano passa a olhar desconfiado para aquilo
que por tanto tempo venerou como o advento da civilização. É particularmente
duro chegar a esse raciocínio de maneira espontânea, sem precisar lê-lo em
algum lugar.
E olha que o fato de escrevermos em versos ou prosa não muda o quadro da dificuldade de expressão pela escrita. Também nada tem a ver com "saber" escrever ou não: parece estar ligado ao sentir e pensar, mas no sentido de exprimir isso. É complicado... As vezes parece que temos uns insights e as coisas fluem, as vezes parece ser o oposto.
ResponderExcluirDo ponto de vista de que fala, claro, porque se pensarmos em escrever apenas para o que ouve (lê), aí a coisa fica ainda mais difícil...