Tales voltava para casa
vindo da escola, pronto para almoçar tranquilamente com sua família e, quem
sabe, para um bom livro durante a tarde. Chegando em casa, notou que a
televisão estava desligada (o que lhe trouxe certo alívio) e que sua mãe se
preparava para alguma discussão com sua irmã mais velha.
As duas mulheres
costumavam se dar bem, mas ultimamente suas conversas tinham tomado um viés
mais religioso. Como bem se sabe, debates desse tipo só tem algum tipo de
conclusão quando um dos lados cede, o que não parecia ser caso. Tales ficava
meio constrangido com as conversas e se sentiu particularmente desconfortável
quando lhe exigiram (“pedir” seria usar um eufemismo para a situação) sua
opinião.
Sempre havia escutado
que quem não possui opinião a respeito de um assunto ou é burro ou indeciso,
ambas qualidades indesejáveis, entretanto, naquele momento, percebeu que mesmo
que tivesse uma opinião, ela não valeria muita coisa. Portanto, deu às duas o
parecer mais poderoso em que conseguiu pensar naquele momento: o silêncio.
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