quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Voto de silêncio



Tales voltava para casa vindo da escola, pronto para almoçar tranquilamente com sua família e, quem sabe, para um bom livro durante a tarde. Chegando em casa, notou que a televisão estava desligada (o que lhe trouxe certo alívio) e que sua mãe se preparava para alguma discussão com sua irmã mais velha.
As duas mulheres costumavam se dar bem, mas ultimamente suas conversas tinham tomado um viés mais religioso. Como bem se sabe, debates desse tipo só tem algum tipo de conclusão quando um dos lados cede, o que não parecia ser caso. Tales ficava meio constrangido com as conversas e se sentiu particularmente desconfortável quando lhe exigiram (“pedir” seria usar um eufemismo para a situação) sua opinião.
Sempre havia escutado que quem não possui opinião a respeito de um assunto ou é burro ou indeciso, ambas qualidades indesejáveis, entretanto, naquele momento, percebeu que mesmo que tivesse uma opinião, ela não valeria muita coisa. Portanto, deu às duas o parecer mais poderoso em que conseguiu pensar naquele momento: o silêncio.

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