Esses dias me deu
coragem de finalmente ler o tal do Discurso do Método, de René Descartes. Uma
experiência deliciosa, de fato, já que há muitos meses eu não lia um livro tão
inocente em alguns aspectos. De toda forma, desejo compartilhar uma reflexão simples
do filósofo francês.
No início do Discurso,
Descartes afirma que o bom senso é uma das coisas mais curiosas do ser humano,
visto que, por mais que as pessoas se vejam enquanto imperfeitas e sempre
busquem algum tipo de melhora em uma de suas características, o ser humano nunca
olha para o seu bom senso enquanto algo a ser melhorado. Ele está satisfeito
consigo mesmo nessa questão.
Parece-me que isto é
simplista demais para descrever essa entidade abstrata dita Humanidade. Penso,
portanto, em uma ligeira alteração deste pensamento, percebendo esse bom senso
como um critério de classificação das pessoas no que se refere à sua maturidade.
Embora uma firmeza de princípios seja evidentemente valorizada nos setores mais
conservadores da sociedade, o auto reconhecimento da capacidade de julgamento é
uma característica das pessoas de mente pequena, ao passo que as grandes
pessoas percebem o quão frágil é a sua suposta sensatez frente ao contexto
histórico em que vivem.
Mas claro que sempre
vai vir um desgraçado e me chamar de relativista, não é mesmo? Pois é, foda-se.
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