quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O juiz em cada um de nós


Esses dias me deu coragem de finalmente ler o tal do Discurso do Método, de René Descartes. Uma experiência deliciosa, de fato, já que há muitos meses eu não lia um livro tão inocente em alguns aspectos. De toda forma, desejo compartilhar uma reflexão simples do filósofo francês.
No início do Discurso, Descartes afirma que o bom senso é uma das coisas mais curiosas do ser humano, visto que, por mais que as pessoas se vejam enquanto imperfeitas e sempre busquem algum tipo de melhora em uma de suas características, o ser humano nunca olha para o seu bom senso enquanto algo a ser melhorado. Ele está satisfeito consigo mesmo nessa questão.
Parece-me que isto é simplista demais para descrever essa entidade abstrata dita Humanidade. Penso, portanto, em uma ligeira alteração deste pensamento, percebendo esse bom senso como um critério de classificação das pessoas no que se refere à sua maturidade. Embora uma firmeza de princípios seja evidentemente valorizada nos setores mais conservadores da sociedade, o auto reconhecimento da capacidade de julgamento é uma característica das pessoas de mente pequena, ao passo que as grandes pessoas percebem o quão frágil é a sua suposta sensatez frente ao contexto histórico em que vivem.
Mas claro que sempre vai vir um desgraçado e me chamar de relativista, não é mesmo? Pois é, foda-se.

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