Vida, se és tão bela,
Por que usas maquiagem?
Não percebes? Ainda que a tua vela
Em mim se apague, como numa miragem
Em lance de discórdia e violência
De ti não guardarei rancor.
E nesse meu ser, na minha essência
nada mais que o próprio amor
Encontrarás, se meus ossos leres.
Não prometo o mesmo de outros seres,
Mas desde já eu te digo, seguro:
Por mais que eu me embrenhe no sofrimento
Criando um coração seco, duro
E dilacerado, em nenhum momento
Deixará de existir em meus lábios fechados
Um sorriso escondido, velado.
Com tua rudeza não me enganas,
Pois se usas a máscara da dor
Proteges o incólume frescor
Da sabedoria que emanas.
