As evidências colhidas
ao longo de minha breve e nem tão ilustre vida levam a crer que o exercício de tentar
conhecer um pouco mais a si próprio é muito desgastante e, ainda que tentemos
nos enganar, deveras frustrante.
Minha última tentativa,
incentivada por certos acontecimentos terrenos que não merecem ser mencionados,
só verificou essa teoria de uma maneira generosamente intensa. Usando uma frase
muito (in)feliz de um certo hobbit a
quem o senhor John Tolkien deu o sopro da vida, depois dessa viagem de
reflexões e descobertas eu “[...] me sinto esticado como manteiga que foi espalhada
num pedaço muito grande de pão.”. Em um português claro e conciso, sinto-me
velho.
Não que isso não
seja bom de vez em quando, mas a admiração pela velhice costuma vir nos
momentos em que podemos observá-la à distância, curiosamente de maneira similar
ao que ocorre com as guerras, por exemplo. De toda forma, deixando um pouco de
lado as formas mais arrojadas da língua portuguesa (que há muito já deixou de
ser lusa neste peculiar país), cheguei à definição dos limites de minha moral
e, portanto, à definição de meu “preço”.
Não sei ao certo
por que estou surpreso com isso. Já não diz um velho ditado que todo homem (preferiria
o termo “humano”) tem o seu? As suspeitas recaem sobre um também velho
conhecido da humanidade: o ego. Explico-me: é possível, simplesmente, que o
orgulho me impedisse de ver minhas próprias limitações e, portanto, minha
essência.
Aparentemente,
ainda que não se tenha chegado a um consenso a respeito do que é o ser humano, supõe-se que uma parte
do enunciado da definição seja “imperfeito”, um fato cuja inexorabilidade me
deixa triste e, mais do que isso, cansado. De fato, tenho forças para apenas
mais uma sentença. E tu, já te perguntaste qual o teu preço?
Engraçado... seu questionamento final me fez pensar: será que é ruim ter um preço? Não será pior "não ter mercado"?
ResponderExcluirÉ possível, mas não gosto de pensar pela ótica do "mas poderia ser pior". A meu ver, esse tipo de raciocínio limita nossa vida, no sentido de impedir ou limitar melhoras na nossa condição, já que tem alguém que está pior.
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