quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A moral quantificada


As evidências colhidas ao longo de minha breve e nem tão ilustre vida levam a crer que o exercício de tentar conhecer um pouco mais a si próprio é muito desgastante e, ainda que tentemos nos enganar, deveras frustrante.
Minha última tentativa, incentivada por certos acontecimentos terrenos que não merecem ser mencionados, só verificou essa teoria de uma maneira generosamente intensa. Usando uma frase muito (in)feliz de um certo hobbit a quem o senhor John Tolkien deu o sopro da vida, depois dessa viagem de reflexões e descobertas eu “[...] me sinto esticado como manteiga que foi espalhada num pedaço muito grande de pão.”. Em um português claro e conciso, sinto-me velho.
Não que isso não seja bom de vez em quando, mas a admiração pela velhice costuma vir nos momentos em que podemos observá-la à distância, curiosamente de maneira similar ao que ocorre com as guerras, por exemplo. De toda forma, deixando um pouco de lado as formas mais arrojadas da língua portuguesa (que há muito já deixou de ser lusa neste peculiar país), cheguei à definição dos limites de minha moral e, portanto, à definição de meu “preço”.
Não sei ao certo por que estou surpreso com isso. Já não diz um velho ditado que todo homem (preferiria o termo “humano”) tem o seu? As suspeitas recaem sobre um também velho conhecido da humanidade: o ego. Explico-me: é possível, simplesmente, que o orgulho me impedisse de ver minhas próprias limitações e, portanto, minha essência.
Aparentemente, ainda que não se tenha chegado a um consenso a respeito do que é o ser humano, supõe-se que uma parte do enunciado da definição seja “imperfeito”, um fato cuja inexorabilidade me deixa triste e, mais do que isso, cansado. De fato, tenho forças para apenas mais uma sentença. E tu, já te perguntaste qual o teu preço?




2 comentários:

  1. Engraçado... seu questionamento final me fez pensar: será que é ruim ter um preço? Não será pior "não ter mercado"?

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  2. É possível, mas não gosto de pensar pela ótica do "mas poderia ser pior". A meu ver, esse tipo de raciocínio limita nossa vida, no sentido de impedir ou limitar melhoras na nossa condição, já que tem alguém que está pior.

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