quarta-feira, 25 de julho de 2012

Plástico


-Imundo, sujo...
-Que se passa?
-Não sei, apenas fujo...
- Não há aqui pirraça.
-De fato, mas fujo é da fome...
-Não se resolve com comida?
-Não é bem isso que me consome.
É como uma ferida
Aberta em minha carne.
-Que pode ser esse alarme?
-Explicar não sei...
-Peço-lhe que tente...
-Pois bem, fá-lo-ei.
É como se minha mente
Fosse cortada pelo aço
E asfixiada pelo carvão
Não sei o que faço
Mal consigo ficar são
Com esse petróleo em meu sangue
Meu esterilizado coração
Eu quero ir ao mangue
Me enfiar no sertão
Para acabar com essa dor
Que não tem cheiro, nem face, nem cor
Que é como plástico
Que mata quieto, tácito.

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