sexta-feira, 1 de junho de 2012

Promessas



              Odeio fazer promessas. Simples assim, sem muitos pormenores. Seria uma postagem com bastante significado embutido e certeiramente a mais curta desse praticamente recém-nascido blog. Claro que também traria, provavelmente, muitas interpretações indesejadas, além de não me trazer lá muita satisfação pessoal durante o ato de escrever. Obrigo-me, portanto, a explorar mais essa minha afirmação inicial.
            Uma das cenas mais batidas de filmes – com destaque notório, neste quesito, para as películas de Hollywood – é aquela em que, dada uma situação de desespero, expectativa ou algo do gênero, uma personagem (entendam essa terminologia como assexuada) declara: “Vai ficar tudo bem, eu prometo.”. Pode parecer ridículo, mas às vezes eu tenho nojo desse tipo de personagem.
            Tudo bem, admito que posso estar sendo um pouco intolerante com os mecanismos de catarse padronizados pelo cinema norte-americano, mas o fato é que simplesmente não me convém aceitar que uma pessoa possa fazer um juramento de maneira tão banal. Pelo menos de minha parte, creio que poderia contar nos dedos de uma das mãos quantas vezes prometi algo a alguém (e sobrariam dedos), já que o fato de se prender de maneira tão forte a uma tarefa exige uma convicção bastante sólida de que será possível superar os obstáculos à execução desta. Dificilmente tenho esse tipo de convicção.
            Alguém poderia argumentar que, na verdade, vivemos fazendo promessas, embora não digamos isso com todas as palavras. Nessa perspectiva, toda vez que dizemos, por exemplo, “amanhã a gente se vê”, estamos a firmar um compromisso. Concordo, entretanto, existe um abismo entre os termos “compromisso” e “promessa” ou “juramento”. Se as pessoas soubessem essa diferença, creio que muitos problemas poderiam ser evitados, já que outros mecanismos de facilitação de comunicação como, digamos, aparelhos que produzam em tempo real legendas daquilo que alguém está dizendo, ainda não foram inventados.
            Em outras palavras, na ausência de soluções supra-humanas, somos condenados a encontrar soluções paliativas para nossos problemas de comunicação. Que tal, portanto, fazermos uma promessa e falarmos tão claramente quanto conseguirmos? Acho que para isso eu tenho convicção suficiente.

2 comentários:

  1. Tens toda razão Erico! Há uma diferença enorme entre assumir um compromisso e fazer uma promessa. Eu acho que as coisas devem ser feitas de acordo com sua vontade, sua capacidade e não um "eu prometo" vago apenas para contentar no momento e decepcionar mais tarde.

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