Mais de uma vez ouvi (e
tenho quase certeza de que vocês compartilharam de similares experiências) que
os cursos de História, Ciências Sociais e Filosofia, dentre outros, são antros
de comunistas e que reunião de centro acadêmico de Humanas é praticamente
comício do PCB (aqui o partido varia segundo a vontade do crítico, de PT a
PCO).
Pois
bem, vamos aos fatos e deixemos de lado a discussão sobre o uso do termo “antro”
nessas circunstâncias. Cursei História durante precisos 4 anos e, durante minha
estadia na universidade, encontrei aproximadamente – considerando todas as
turmas com que tive contato – 10 marxistas (alguns desses eu considero como
marxistas com muitas reservas). Se eu fosse mais rigoroso, entrariam talvez 5
ou 6 nessa lista, sendo apenas um deles professor. Aliás, eu só soube que esse
professor era marxista depois de terminar o curso, o que mostra, inclusive, a
competência do dito docente.
Para
esse cômputo, considerei alunos de 5 turmas. Considerando uma média
razoavelmente fiel de 25 alunos por turma, temos 125 alunos, mais 7 professores
de História ou Sociologia. Em outras palavras, de 4% a 8% dos colegas de curso
e 14% dos professores que conheci eram marxistas.
Acho
fascinante como as pessoas ainda tem essa imagem dos cursos de Humanas. Na boa,
de uma turma inicial de 40 alunos, provavelmente 10 vão desistir, 20 não estão
nem aí pra coisa toda e só querem o diploma e os 10 restantes se dividem entre
várias correntes teóricas. No caso específico da História, existem pelo menos 4
grandes correntes de pensamento, a saber: Positivismo (um tanto ultrapassado),
Weberianismo, Marxismo e Annalismo (usa-se também o termo Nova História).
Até
existe uma certa predominância de marxistas em um ou outro curso, mas não chega
nem perto da situação dos anos 70, por exemplo. Como Astor Antonio Diehl bem
explicou, os anos 1990 e a crise do chamado socialismo real representaram uma
forte crise paradigmática (isto é, de valores, padrões, modelos) para os historiadores
e, de maneira mais geral, também para as demais ciências humanas.
Eu
realmente lamento se suas aulas de História no Ensino Básico foram marcadas exclusivamente por
leituras do Manifesto Comunista, A Ideologia Alemã e afins, mas essa não é a
pegada da universidade. Você ainda poderia dizer: ah, mas eu nunca vi um livro
do Weber, do Durkheim, do Marc Bloch ou do Carlo Ginzburg na biblioteca da
escola. Bom, se você se coçar um pouco, vai descobrir que tampouco será fácil
encontrar O Capital nessa mesma biblioteca. Além disso, é de se perguntar: você
leria A Ética Protestante, O Suicídio, Apologia da História ou Olhos de Madeira
caso os encontrasse em uma estante? Dificilmente.
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