O despertador tocou,
mais uma vez. Esther se levantou a contragosto, observando, ainda meio zonza, o
horário e, mais importante, a data: 15 de outubro. Era um dia especial, aquele,
ou pelo menos uma parte de seu cérebro teimava em dizer que era (a outra parte
estava cagando pra isso).
Arrumou-se e dirigiu-se
à escola, pasta na mão, convicção em mente. Era sempre curioso observar as
expressões dos professores neste dia em particular. Um misto de alegria,
constrangimento, sofrimento e indiferença. Não que isso fosse diferente de qualquer
outro dia, mas a mudança de agente motivador trazia um je ne sais quoi à situação.
Neste dia, não acreditava
em um elogio sequer dos alunos. Afinal, nada mais seria que um elogio da
loucura. Loucura muito específica, por sinal: naquele teatro macabro chamado
escola, mantinha a esperança romântica, o desejo quase libidinoso de entrar em
sala e ver escrito no quadro, falha de roteiro: “ensina-me a viver”.
Entrando em sala,
percebe que não foi desta vez. O amor por seus alunos continuava platônico, embora
eles não tivessem ideia do que isso significasse.
