terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre o ódio

Não acredito que estou escrevendo sobre isso. Primeiro por que o tema já tem sido discutido à exaustão nos últimos dias. Segundo por que, justamente tendo em vista esse contexto, dar opinião traz a irritação de algumas pessoas e por vezes não sei lidar bem com isso.
Queria falar algumas coisas sobre São Paulo (suspiros). Fica tranquilo, o texto será breve.
Essa tem sido uma série de manifestações bastante significativa (se não nos números de participantes, na repercussão). Entretanto, todavia, contudo, curiosamente o que me chamou a atenção, desde o primeiro momento em que se falou em "confrontos" não foram os motivos da manifestação ou da repressão policial ou da destruição de patrimônio público ou sei lá o quê.
Nenhum desses fatores me interessou mais do que uma análise despretensiosa da carga histórica e antropológica desses eventos. Curiosamente, também, não foram as passeatas e os confrontos (por favor, não é relevante para esse post entrar em detalhes semânticos sobre a validade de termos como "vandalismo", "confrontos", "repressão", etc, descartem isso por ora), mas sim os comentários a respeito do tema.
Não digo que tenha sido uma surpresa essa constatação, mas é sempre impactante perceber quanto rancor o brasileiro guarda... do brasileiro. Esse rancor, materializado em uma espécie deturpada de consciência de classe, acaba se tornando, em algum momento, posicionamento político. Em um país que simplesmente ignora a divisão tradicional esquerda-direita, isso é um grande problema.
O movimento propriamente dito não tem sequer 1 mês de vida e já rolam as tradicionais fagulhas entre "reaças" e "comunas". Dá pena de ver, sério. Um fala que "tem que descer o cacete mesmo", o outro fala que "esses reaças de merda querem estragar o movimento", uma terceira fala desses "comunistas fdp que se aproveitam da situação", etc etc etc.
Isso já está dando nos nervos. Todo dia a mesma lenga-lenga, as mesmas discussões, o mesmo nada levando a lugar nenhum. Sabe, gente, um pouco de empatia não machuca. Os "reaças" não são alienados que babam pra "mídia golpista" (por incrível que pareça, boa parte deles realmente se importa com o bem das outras pessoas). Os "comunas" não são seres maquiavélicos que querem a destruição dos bons costumes e das liberdades individuais (por incrível que pareça, boa parte deles se importa também com você, colega "reaça"). Mas claro que sempre vai vir um e dizer que eu sou cínico, não é mesmo? Que não me posiciono (na esquerda ou na direita), blá blá blá.
Reflitam um pouco sobre isso. Menos ódio, mais caráter. Tenham um bom dia e me desculpem pelo excesso de aspas no texto. Julguei-as necessárias.

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