Depois de certo tempo em silêncio, despediram-se,
como de praxe:
- Adeus.
- Adeus.
Algo parecia errado. Por que lhe dizia adeus? Não
sabia sua boca que a pessoa ali em frente nada significava? Que lhe importava o
afastamento de figura tão frágil, tão imperfeita, tão humana? Não era isso que
lhe queria dizer.
De fato, o que realmente lhe era caro não se
afastava dele. O dia inteiro aquela ideia de perfeição velada o perseguia. Nem
por um momento se afastaria dela. Não, a cada passo rumo à distância não podia
deixar de pensar que era mais próxima, mais nítida a imagem do conforto, do
riso fácil, da incredulidade pela sorte.
- Não diga adeus.
- E que direi eu?
Dirá... o que dirá?
- Aproveite o dia.
- Mas já não é noite?
- E por isso é tarde para aproveitar o dia?
Sua ideia lhe acenou com um sorriso ainda em botão,
a que se chama usualmente meio-sorriso. Não poderia haver um nome mais
adequado, afinal de contas, a outra metade do sorriso pertencia senão a outra
boca.
*Nota: o título foi um problema e tanto. Quase deixei sem título mesmo, mas acabei decidindo pela sugestão de um amigo.
Muito bom, Erico! Essa última estrofe foi obra de mestre. Sempre bom ler teus textos!
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