Resolvi fazer um texto
de pira filosófica, só pra descontrair um pouco. Por onde seria mais seguro
começar?
Em
certo grau, concordo com um certo amigo meu que no campo das teorias da
História chegou-se a um ponto de produção literária saturada, o famoso mais do mesmo em cada livro a ser lido.
Gostaria, dito isso, de apresentar algumas considerações as quais, embora não
originais ou revolucionárias, são, no mínimo, raras.
Estamos
bastante acostumados com o termo “crono” em nosso cotidiano. Cronologia,
cronômetro, crônico, etc. Isso por que o termo grego “khronos” simboliza a
passagem quantificada e exata do tempo, um sentido bastante palpável e fácil de
apreender. Entretanto, poucas pessoas sabem que há duas palavras para tempo em grego. O outro termo é “kairos”,
isto é, o tempo impossível de ser contado, o instante de perfeição, o momento
decisivo, o instante eterno.
Como
podemos ver, um termo bastante abstrato e, ainda assim, aparentemente bastante
apropriado para determinadas áreas do conhecimento. Tomando nota desse termo,
podemos dizer de forma acurada que o termo “cronologia” é apropriado à
história, nos moldes a que esta se propõe?
Mesmo
o mais ortodoxo positivista, em seu zelo pelo rigor de datas e fatos, assim
como pela determinação exata de fenômenos de estática e dinâmica social,
precisaria admitir que o que a História sempre buscou foi uma “cairologia”, com
o perdão do neologismo. Os fatos são importantes, mas quais fatos? O dia-a-dia
cíclico, preciso, quase planejado? Ou os momentos de tensão em que algo
especial acontece?
Deixo
a analogia da aceitação do “kairos” em outras teorias para sua imaginação.
Finalizo apenas com uma pergunta: se a História é uma ciência dos homens no
tempo, de qual tempo estamos
falando?
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