Tudo bem, eu sei que já
fiz uma postagem criticando as generalizações e tudo o mais, mas sátiras e
críticas se tornam, a meu ver, mais interessantes quando se consegue usar
algumas ferramentas da língua portuguesa, seja a generalização, a hipérbole, ou
o que convenha ao momento. É isso que tira um pouco a seriedade do texto e nos
permite algumas abstrações interessantes.
Não sei quanto a vocês,
mas para mim é deprimente passar por uma feira de livros e não encontrar UM sequer
que me atraia e me incentive a comprá-lo. Pra ser franco, isso está acontecendo
com uma frequência preocupante comigo ultimamente e me forço a perguntar qual o
sentido dessa situação. Usando de um pouco de liberdade literária, resolvi
elaborar uma hipótese simples e que, se correta, demonstra um contexto social
repreensível.
Autores bons não são
raros, mas editoras grandes o são. Logo, embora haja muitos livros bons, há
poucos que podem ser publicados a bons preços. Feiras de livros oferecem livros
baratos, mas livros baratos não são comuns. Logo, feiras de livros oferecem
poucos livros. Livros baratos não são comuns e livros bons em geral não são
baratos, logo livros bons baratos são raros. Conclusão: livros bons são raros
em feiras. Faz sentido? Tirem suas próprias conclusões e, por favor, não levem tão a sério o que eu escrevi. Afinal de contas, a proposta deste espaço é justamente servir de exercício mental a quem quer que o leia (ou escreva, é evidente).