Acho que finalmente –
depois de tantos anos escutando King Crimson, Pink Floyd, Yes e outras bandas
menos conhecidas – descobri por que gosto de rock progressivo.
Bom, pelo menos no
sentido mais filosófico da coisa, parece-me que a vida tem um modo progressivo
de ser (não no conceito positivista). Tanto o começo quanto o fim podem ocorrer das mais diversas formas,
indo desde um solo virtuoso de guitarra até uma frase sombria no baixo ou no
teclado, ou quem sabe algumas viradas na bateria.
Mesmo quando a música
parece sem sentido existe um fio que guia a execução da melodia, melodia essa
que segue determinado padrão de ciclos que se repetem e ocasionalmente
atordoam, impedindo a total apreciação de todos os detalhes da obra, obra essa
que não possui um padrão de execução rígido, passando por ápices e baixios
inesperados.
Por ser tão grande, a
música muitas vezes passa a impressão de que nunca vai acabar, porém, quando a
última nota soa, sempre somos lembrados de que as coisas são passageiras. Além
disso, embora cada música transmita uma emoção diferente, todas as melodias de
rock progressivo passam uma espécie de serenidade, mesmo quando o tema também é
angustiante e, bem ou mal, é assim que eu encaro a vida.
Falando nisso, devo me
explicar a respeito de algo: faz alguns dias afirmei categoricamente a alguns
amigos que músicas não me atingem emocionalmente. Talvez eu tenha usado poucas
palavras para descrever a situação. Ouvir músicas, no meu caso, é uma
experiência ambígua: ao mesmo tempo em que consigo perceber o que a música quer
passar, meu estado de espírito não muda por causa disso. Pelo contrário, é
minha emoção vigente que determina o que vou escutar, a fim de entrar em
sintonia com a melodia e/ou com a letra.
O tema desse tópico
sugere que eu termine com um vídeo ou coisa que o valha. Pink Floyd seria uma
escolha tradicional, mas muito batida; King Crimson seria uma opção ousada, mas
experimental demais para a maioria dos ouvidos (inclusive os meus, por vezes).
Dessa forma, fico com o meio-termo das bandas que citei: Yes.

A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.
ResponderExcluirArthur Schopenhauer