terça-feira, 17 de abril de 2012

Vida progressiva



Acho que finalmente – depois de tantos anos escutando King Crimson, Pink Floyd, Yes e outras bandas menos conhecidas – descobri por que gosto de rock progressivo.
Bom, pelo menos no sentido mais filosófico da coisa, parece-me que a vida tem um modo progressivo de ser (não no conceito positivista). Tanto o começo quanto o fim podem ocorrer das mais diversas formas, indo desde um solo virtuoso de guitarra até uma frase sombria no baixo ou no teclado, ou quem sabe algumas viradas na bateria.
Mesmo quando a música parece sem sentido existe um fio que guia a execução da melodia, melodia essa que segue determinado padrão de ciclos que se repetem e ocasionalmente atordoam, impedindo a total apreciação de todos os detalhes da obra, obra essa que não possui um padrão de execução rígido, passando por ápices e baixios inesperados.
Por ser tão grande, a música muitas vezes passa a impressão de que nunca vai acabar, porém, quando a última nota soa, sempre somos lembrados de que as coisas são passageiras. Além disso, embora cada música transmita uma emoção diferente, todas as melodias de rock progressivo passam uma espécie de serenidade, mesmo quando o tema também é angustiante e, bem ou mal, é assim que eu encaro a vida.
Falando nisso, devo me explicar a respeito de algo: faz alguns dias afirmei categoricamente a alguns amigos que músicas não me atingem emocionalmente. Talvez eu tenha usado poucas palavras para descrever a situação. Ouvir músicas, no meu caso, é uma experiência ambígua: ao mesmo tempo em que consigo perceber o que a música quer passar, meu estado de espírito não muda por causa disso. Pelo contrário, é minha emoção vigente que determina o que vou escutar, a fim de entrar em sintonia com a melodia e/ou com a letra.
O tema desse tópico sugere que eu termine com um vídeo ou coisa que o valha. Pink Floyd seria uma escolha tradicional, mas muito batida; King Crimson seria uma opção ousada, mas experimental demais para a maioria dos ouvidos (inclusive os meus, por vezes). Dessa forma, fico com o meio-termo das bandas que citei: Yes.


Um comentário:

  1. A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.
    Arthur Schopenhauer

    ResponderExcluir