quinta-feira, 19 de abril de 2012

Novas experiências



           O ambiente parecia-lhe muito familiar, ainda que de uma maneira estranha. Como explicar? A luz da lâmpada continuava com a mesma intensidade, mas os objetos como que se recusavam a receber sua luminosidade, envolvendo sobre si mesmos uma camada adicional de sombras. O ar estava frio para aquela época do ano, cortante, difícil de respirar, fazendo com que pequenas nuvens de vapor se condensassem à frente de seus lábios.
            Em meio a tudo isso, outra percepção, mais aguda. Outra nuvem de vapor pode ser vista na outra extremidade da sala. Uma face sem expressão encarando sua presa, a faca existindo como uma extensão natural da mão. O instinto grita insistentemente que Agnes faça alguma coisa até que ela consegue forçar o teimoso braço a se mexer e envolver uma faca, com uma habilidade no mínimo duvidosa, mesmo após todos aqueles anos de treino nas refeições. O desconhecido se aproxima inexoravelmente, com num filme de terror.
A respiração de Agnes se torna mais difícil e o vapor de sua boca se mistura com o suor frio que lhe escorre pela fronte; o sangue corre mais rápido, os sentidos ficam mais aguçados, embora o som tenha curiosamente desaparecido de sua percepção. O momento da decisão se aproxima quando...
- AAAAAAAAAAAHHHHHH!
- O que foi, querida? – pergunta sua mãe alguns segundos depois.
Ela não consegue responder de imediato. A lembrança era tão vívida, tão detalhada... a luz opaca, o frio, o suor, o medo. Agnes olhou para sua mão esquerda: vazia. Inacreditável, apenas um sonho. Não costumavam ser tão... reais.

2 comentários:

  1. Sonhos! Quem os entende... eu até fui abduzido dia desses, mas acho que era sonho... ou convulsão...

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  2. "Um dia sonhei que tava no bar e acordei bêbado". (Barney Gumble)

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