O ambiente parecia-lhe muito familiar, ainda que de uma
maneira estranha. Como explicar? A luz da lâmpada continuava com a mesma
intensidade, mas os objetos como que se recusavam a receber sua luminosidade,
envolvendo sobre si mesmos uma camada adicional de sombras. O ar estava frio
para aquela época do ano, cortante, difícil de respirar, fazendo com que
pequenas nuvens de vapor se condensassem à frente de seus lábios.
Em
meio a tudo isso, outra percepção, mais aguda. Outra nuvem de vapor pode ser
vista na outra extremidade da sala. Uma face sem expressão encarando sua presa,
a faca existindo como uma extensão natural da mão. O instinto grita
insistentemente que Agnes faça alguma coisa até que ela consegue forçar o
teimoso braço a se mexer e envolver uma faca, com uma habilidade no mínimo
duvidosa, mesmo após todos aqueles anos de treino nas refeições. O desconhecido
se aproxima inexoravelmente, com num filme de terror.
A respiração de Agnes
se torna mais difícil e o vapor de sua boca se mistura com o suor frio que lhe
escorre pela fronte; o sangue corre mais rápido, os sentidos ficam mais
aguçados, embora o som tenha curiosamente desaparecido de sua percepção. O
momento da decisão se aproxima quando...
- AAAAAAAAAAAHHHHHH!
- O que foi, querida? –
pergunta sua mãe alguns segundos depois.
Ela não consegue
responder de imediato. A lembrança era tão vívida, tão detalhada... a luz
opaca, o frio, o suor, o medo. Agnes olhou para sua mão esquerda: vazia.
Inacreditável, apenas um sonho. Não costumavam ser tão... reais.

Sonhos! Quem os entende... eu até fui abduzido dia desses, mas acho que era sonho... ou convulsão...
ResponderExcluir"Um dia sonhei que tava no bar e acordei bêbado". (Barney Gumble)
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