sábado, 7 de abril de 2012

I hope, I wait


           Nádia era, sob muitos aspectos, uma moça comum. Não era manca, nem superdotada, nem esquizofrênica, nem muito alta, nem muito baixa. Então por que dela falo, tu podes perguntar, nobre leitor.
            Muito simples, amante das letras. Se, por um instante, pensarmos na existência de uma floresta e, nesse lugar imaginário, descobrirmos que as árvores possuem as mesmas características, só precisamos estudar uma delas para satisfazer nossa curiosidade, por mais que essas árvores sejam banais. Hoje desejo falar a respeito de pessoas comuns.
            Nádia já contava com 16 anos de vida e, no auge daquele período de guerra civil interna conhecido como puberdade, tentava organizar seus pensamentos. Mais especificamente, enquanto tentava não dormir em uma aula particularmente chata de Geografia, começou a se perguntar a respeito do significado de seu nome.
            Claro que já havia sido questionada várias vezes a respeito quando criança e, como em geral acontece, perguntou para os pais. Disseram-lhe que significava “esperança”.
            Na época (devia ter seus 10 anos), achou o nome bonito. Simples assim, infantil assim. Bons tempos. Naquela época, esperança nem sequer fazia tanto sentido. “Espero que o presente de Natal seja legal”, “espero poder ir à casa da minha amiga”, não muito além disso.
            O que havia mudado nos últimos seis anos? O que não havia mudado? Nádia se lembrava de como algumas palavras haviam progressivamente ganhado sentido: “vazio”, “angústia”, “amor”, “ciúmes”... mas “esperança” continuava uma expressão intrigante. Não conseguia se satisfazer com as definições dessa expressão, pois nenhuma delas definia sua pessoa.
            Dito de outra forma, deixava-a perplexa a forma como não estava em sintonia com seu nome. Não que ela fosse pessimista, mas sim pragmática, ou seja, não se apaixonava demais pelo futuro. Já se apaixonara e, embora o êxtase de ver uma expectativa realizada tivesse sido memorável, mais ainda fora a dor excruciante de ver um sonho despedaçado.
            – É estranho, mas espero que um dia eu possa voltar a ter esperança – pensou. Espero pelo dia em que Nádia não seja apenas meu nome, mas também meu ser. Espero que meu epitáfio possa ser "vivi honrando meu nome".


Um comentário:

  1. Muito bom Erico! Realmente seu texto me surpreendeu, mesmo eu já esperando algo excelente, mas a maneira como você conduziu o texto foi muito inteligente. Parabéns pelo texto!

    ResponderExcluir