sexta-feira, 20 de abril de 2012

É pessoal, entende?



 Depois dessa noite, estou convicto de que textos surgem do Além, especialmente as postagens desse maluco blog. Sim, caros leitores, mordazes críticos e desavisados internautas perdidos (às vezes a mesma pessoa é os três) e faço questão de me explicar, ao mesmo tempo abordando o assunto previsto.
Como bem se sabe – e duvido que algum cientista conseguisse contestar essa afirmação do senso comum – conversas de bar e de redes sociais são completamente inusitadas (pra não dizer aleatórias). Na mesma noite, conversando com duas grandes amigas que nem sequer se conhecem, passamos pelo tema “moral”, com uma, e “escolhas” com outra. Não bastasse isso, uma vontade maligna (tá bom, nem é tudo isso) me levou a reler meu fichamento de “O Prazer do Texto”, de Roland Barthes. Só podia dar merda (ou postagem).
Pois bem, vamos ao que interessa. Se existe uma palavra que correlaciona esses três tópicos, é essa: individualidade. Por quê? Ora, muito simples. Todas as escolhas da vida de qualquer ser humano são baseadas na necessidade de saciar a própria vontade, que pode se materializar de diversas formas, podendo ser resumidas a uma: a busca pela felicidade (e não, os mártires não escapam disso, pois sua felicidade é representada por um código moral).
Sob essa ótica, é conveniente dizer que, se o ser humano é definido pelas ações que toma e deixa de tomar em sua vida, todo o sentido dessa existência se resume ao principal vício de nossa espécie: ser feliz. Ou melhor, estar feliz, pois “ser” implica uma situação constante e, nesse caso, não estaríamos falando de um vício, mas de um sonho. De toda forma, apenas uma diferença técnica, que não muda o fato da existência de nossa dependência... afetiva, na falta de um termo melhor (química soaria estranho).
Sim, caro leitor, tu és um(a) viciado(a). Mas não te preocupes, não estás sozinho. Também sou um dependente e a minha droga é, penso, uma das mais caras: chama-se felicidade alheia.
E onde entra Barthes nessa história toda? No fim, é claro (é nessa hora que você fala “Ah! Não me diga!”). Tá bom, chega de palhaçada. Basicamente, ele dá uma dica perfeita para você, indivíduo, que gostaria de deixar algum comentário a respeito desse texto (se possível, demonstrando pelo menos um pouco de êxtase literário para me conceder uma dose de endorfina):
“Se aceito julgar um texto segundo o prazer, não posso ser levado a dizer: este é bom, aquele é mau. […] é isso! E mais ainda: É isso para mim! Esse 'para mim' não é nem subjetivo, nem existencial, mas nietzschiano ('no fundo, é sempre a mesma questão: o que é que é para mim?...).”

2 comentários:

  1. Uma busca complexa, Erico. Mas tens razão em dizer que a felicidade, talvez mais a alheia do que a nossa própria, é que embasa todas nossas decisões.
    Ótimo texto!

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  2. Interessante a maneira como você expressa suas idéias. Parabéns!
    O seu excelente uso das palavras serve de inspiração para muitos leitores.
    Abro aqui uma explicação para manter minha identidade sem identificação, pois os padrões culturais do mundo impedem.

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