terça-feira, 20 de março de 2012

Falando grego




            Em uma dessas tardes suficientemente frescas pra serem chamadas de agradáveis, minha imaginação achou por bem se exercitar. De maneira coercitiva e nem por isso duradoura, pelo contrário, fugaz, fui ordenado a divagar sobre algumas expressões peculiares da língua a que se costuma chamar portuguesa.
            É notório, por exemplo, o disparate proporcionado pelas expressões “chá de fralda” e, cúmulo sacrílego, “chá de bebê”. Sem dúvidas, sob o olhar sereno da razão, dado nosso contexto cultural, expressões muito infelizes, esta última digna de uma sociedade canibal, digo, antropofágica.
            É evidente que o surgimento dessas figuras de linguagem tem a sua razão de existir, seu desenvolvimento histórico, passando por fases de aceitação e adaptação, etc, etc, etc. Todavia, a sensação de “alguma coisa está errada aqui” permanece.
            Na outra face dessa situação, é possível verificar palavras que inicialmente transmitiam grande serenidade e que acabaram ganhando um sentido muito desagradável em nossa sociedade. Por exemplo, o que dizer da palavra “eutanásia”?
            Alguém já parou para pensar no real sentido desse termo? O termo eutanásia significa literalmente “boa morte” e era usado pelos gregos para se referir à maneira mais desejável de se morrer (em geral algo rápido no campo de batalha, para os homens, ou uma morte tranquila e digna em casa, para as mulheres).
            É esse tipo de coisa que convence que, decerto, seria útil existir uma espécie de legenda em conversas (sim, mesmo nas de bar).

3 comentários:

  1. Principalmente nas de bar(2)! Mee, fiquei com vergonha de ter mostrado meu blog agora sahuisahuiashasuihasu Já ganhou :)

    ResponderExcluir
  2. Muito bom Erico! É em mesas de bar, sem legenda, que tantas das nossas inspirações ocorrem. Muito bom ver que mais um cavaleiro do apocalipse se junta ao fantástico mundo bloguístico! Já estou seguindo seu blog! Parabéns!

    ResponderExcluir