segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ser ou sem você não ser


Quero paciência e a quero agora. Desejo esse sentimento pacato e acalentador, mesmo que nem sempre pacífico, por que também as guerras podem ser uma questão de paciência. Desejo essa companheira gentil, parceira dos bons ouvintes e dos bons amantes, por que sabe colher as informações necessárias para dar o tão desejado beijo no momento certo.
Quero a consciência plena, sempre e em todo lugar, a não ser no famigerado lar de Morfeu, que já nos fornece um preenchimento muito peculiar de vazios, ainda que existam seres que aos sonhos dediquem apenas um efêmero lugar no altar da patranha. Desejo a plenitude por que ela me faz feliz e a felicidade não se contenta apenas com um único receptáculo, buscando aqueles que estão à sua volta.
Quero que a razão concorde com meus sentimentos e também tente me convencer que amar-te é um ato justo, correto, para que assim eu não tenha argumentos para não estar contigo. Confesso-me, desejo-te, amemo-nos.



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A moral quantificada


As evidências colhidas ao longo de minha breve e nem tão ilustre vida levam a crer que o exercício de tentar conhecer um pouco mais a si próprio é muito desgastante e, ainda que tentemos nos enganar, deveras frustrante.
Minha última tentativa, incentivada por certos acontecimentos terrenos que não merecem ser mencionados, só verificou essa teoria de uma maneira generosamente intensa. Usando uma frase muito (in)feliz de um certo hobbit a quem o senhor John Tolkien deu o sopro da vida, depois dessa viagem de reflexões e descobertas eu “[...] me sinto esticado como manteiga que foi espalhada num pedaço muito grande de pão.”. Em um português claro e conciso, sinto-me velho.
Não que isso não seja bom de vez em quando, mas a admiração pela velhice costuma vir nos momentos em que podemos observá-la à distância, curiosamente de maneira similar ao que ocorre com as guerras, por exemplo. De toda forma, deixando um pouco de lado as formas mais arrojadas da língua portuguesa (que há muito já deixou de ser lusa neste peculiar país), cheguei à definição dos limites de minha moral e, portanto, à definição de meu “preço”.
Não sei ao certo por que estou surpreso com isso. Já não diz um velho ditado que todo homem (preferiria o termo “humano”) tem o seu? As suspeitas recaem sobre um também velho conhecido da humanidade: o ego. Explico-me: é possível, simplesmente, que o orgulho me impedisse de ver minhas próprias limitações e, portanto, minha essência.
Aparentemente, ainda que não se tenha chegado a um consenso a respeito do que é o ser humano, supõe-se que uma parte do enunciado da definição seja “imperfeito”, um fato cuja inexorabilidade me deixa triste e, mais do que isso, cansado. De fato, tenho forças para apenas mais uma sentença. E tu, já te perguntaste qual o teu preço?