Depois dessa noite,
estou convicto de que textos surgem do Além, especialmente as postagens desse
maluco blog. Sim, caros leitores, mordazes críticos e desavisados internautas
perdidos (às vezes a mesma pessoa é os três) e faço questão de me explicar, ao
mesmo tempo abordando o assunto previsto.
Como bem se sabe – e duvido
que algum cientista conseguisse contestar essa afirmação do senso comum – conversas
de bar e de redes sociais são completamente inusitadas (pra não dizer
aleatórias). Na mesma noite, conversando com duas grandes amigas que nem sequer
se conhecem, passamos pelo tema “moral”, com uma, e “escolhas” com outra. Não
bastasse isso, uma vontade maligna (tá bom, nem é tudo isso) me levou a reler
meu fichamento de “O Prazer do Texto”, de Roland Barthes. Só podia dar merda
(ou postagem).
Pois bem, vamos ao que
interessa. Se existe uma palavra que correlaciona esses três tópicos, é essa:
individualidade. Por quê? Ora, muito simples. Todas as escolhas da vida de
qualquer ser humano são baseadas na necessidade de saciar a própria vontade,
que pode se materializar de diversas formas, podendo ser resumidas a uma: a
busca pela felicidade (e não, os mártires não escapam disso, pois sua
felicidade é representada por um código moral).
Sob essa ótica, é conveniente
dizer que, se o ser humano é definido pelas ações que toma e deixa de tomar em
sua vida, todo o sentido dessa existência se resume ao principal vício de nossa
espécie: ser feliz. Ou melhor, estar feliz, pois “ser” implica uma situação
constante e, nesse caso, não estaríamos falando de um vício, mas de um sonho.
De toda forma, apenas uma diferença técnica, que não muda o fato da existência
de nossa dependência... afetiva, na falta de um termo melhor (química soaria
estranho).
Sim, caro leitor, tu és
um(a) viciado(a). Mas não te preocupes, não estás sozinho. Também sou um
dependente e a minha droga é, penso, uma das mais caras: chama-se felicidade
alheia.
E onde entra Barthes
nessa história toda? No fim, é claro (é nessa hora que você fala “Ah! Não me
diga!”). Tá bom, chega de palhaçada. Basicamente, ele dá uma dica perfeita para
você, indivíduo, que gostaria de deixar algum comentário a respeito desse texto (se possível, demonstrando pelo menos um pouco de êxtase literário para me conceder uma dose de endorfina):
“Se aceito julgar um
texto segundo o prazer, não posso ser levado a dizer: este é bom, aquele é mau.
[…] é isso! E mais ainda: É isso para mim! Esse 'para mim' não é
nem subjetivo, nem existencial, mas nietzschiano ('no fundo, é sempre a mesma
questão: o que é que é para mim?...).”


