quarta-feira, 21 de março de 2012

Plenitude


Barulho... a conversa jogada fora se multiplica, sem nenhum objetivo ou objeto definido. Mundos são criados e destruídos nesses discursos de bar. As risadas vem com facilidade e lubrificantes sociais são consumidos com fluidez. Vozes se elevam sem necessidade, como que tentando sobrepujar outras vozes, estas interiores.
            Necessidade... vidas são construídas em torno desse conceito. A ética é definida por três perguntas (quero? Posso? Devo?), porém essa quarta também pode ser bem inconveniente às vezes. No meu caso atual, especificamente, não: quero alguém que seja mais do que uma amiga para mim, preciso disso, devo ser forte e superar minha timidez, posso fazê-lo?
            Silêncio... o que aconteceu com meu coração? Parece que parou. Olho à minha direita, forjando uma expressão que pretende parecer calma, feliz e segura. Não sei se a pude enganar e não sei se isso é bom ou ruim. Não quero que ela me veja triste e cheio de dúvidas, mas não lhe ser verdadeiro dói ainda mais. Convenço-me de que, afinal de contas, não estou sendo falso, já que, naquele momento, estou tão feliz quanto triste.
            Felicidade... finalmente me dou conta, depois de uma fração de segundo estando disperso, da razão de meu coração ter parado. Ela segura minha mão com um sorriso doce e sincero dançando nos lábios. Preciso descrever mais? Não. Posso? Sim. Quero? Não, minhas lembranças são o suficiente. Devo? Não necessariamente.
Plenitude... naquele momento, eu não precisava de mais nada. Não havia fome, não havia sede, não existia libido, nem carência. Seu olhar, com a sua pura simplicidade, alimentou todo o meu ser.
Paciência... tenha paciência, querida, por favor. Só me resta uma pergunta a responder, apenas mais um demônio a derrotar. Dê-me tempo para que eu possa ser a fonte da sua plenitude.

3 comentários:

  1. Bom demais cara... bom demais!!
    A sacanagem do tema, é que para essa plenitude, as vezes (ou quase sempre) precisamos do outro, o qual, pode não precisar de nós para ser pleno...

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  2. Plenitude enraizada que, talvez dependa de estar em nós para simplesmente atrair a quem desejamos... normalmente nos vemos em meios, em quartos, em carros... acompanhados ou não. Vezes por quem queremos, mas não da forma que sonhamos... Vezes por quem nem queremos tanto assim, da forma que sonhamos a outra companhia!
    Essa confusão toda, talvez, apenas porque o outro também busca a plenitude em nós antes de ser junto com a gente a plenitude!

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  3. Talvez a plenitude que buscamos alcançar esteja em alguém que talvez jamais conheçamos, bem como talvez somos a plenitude de quem está tão perto - e não percebemos.
    Genial, Erico! Parabéns pelo blog, sensacional mesmo!

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