É
fato consumado: o beijo é um grito. Em alguns momentos, coisa
desesperadora de se presenciar, evento escandaloso, terrível,
inoportuno. Quebra a linha de raciocínio, se é que dantes havia
algum. Em outros momentos, é uma cena linda de se presenciar.
Promove o riso, pois é engraçado presenciar esforço tão
sobre-humano para desafiar a monotonia, o cinza das relações
cotidianas. Causa certo repúdio, no entanto, presenciar grito cinza,
desses sem sabor, sem aroma de vida.
É
fato consumado: o beijo é também um sussurro ao pé do ouvido. É
como contar um segredo, com a ressalva de que todos conhecem esse
sigilo: como é difícil contar as ranhuras de um lábio. Requer
inspeções inúmeras, sempre em silêncio, para não perder a conta.
O
beijo também é... com licença. Que foi, querida? Quer contar
novo? Ok, ok... tô indo. Queiram desculpar, mas o dever chama.