domingo, 2 de fevereiro de 2014

O beijo é um grito


         É fato consumado: o beijo é um grito. Em alguns momentos, coisa desesperadora de se presenciar, evento escandaloso, terrível, inoportuno. Quebra a linha de raciocínio, se é que dantes havia algum. Em outros momentos, é uma cena linda de se presenciar. Promove o riso, pois é engraçado presenciar esforço tão sobre-humano para desafiar a monotonia, o cinza das relações cotidianas. Causa certo repúdio, no entanto, presenciar grito cinza, desses sem sabor, sem aroma de vida.
         É fato consumado: o beijo é também um sussurro ao pé do ouvido. É como contar um segredo, com a ressalva de que todos conhecem esse sigilo: como é difícil contar as ranhuras de um lábio. Requer inspeções inúmeras, sempre em silêncio, para não perder a conta.
         O beijo também é... com licença. Que foi, querida? Quer contar novo? Ok, ok... tô indo. Queiram desculpar, mas o dever chama.