Tinha míseros 21 anos
quando o vi pela primeira vez: uma experiência indescritível. O batimento
cardíaco acelerou, os músculos fraquejaram, o pensamento repentinamente se
tornou mais rápido e desorganizado, a adrenalina era quase insuportável.
Passei
a observá-lo de longe, incrédula de ter encontrado meu destino relativamente
tão nova. Estava certa de que aquela seria uma relação para a vida inteira.
Algum tempo depois fomos apresentados formalmente e comecei a vê-lo
regularmente. Primeiro nos encontrávamos às manhãs e, eventualmente, em algumas
noites, mas, com o passar do tempo, as visitas à minha casa se tornaram mais
frequentes.
Depois
de alguns anos, não podia passar um dia sequer sem ele. Meus amigos me
criticaram, diziam que aquela relação tinha se tornado doentia, que aquela
dependência não era normal. Não me importei, eles não entendiam como ele era
especial.
Inseparáveis
fomos durante muito tempo, até que surgiu um fator inesperado em minha vida: outro.
A princípio fiquei confusa e não sabia o que fazer. Tentei conciliar as duas
relações, escondendo um do outro. Entretanto, descobri que não era tão fácil e
soube que precisaria fazer uma escolha difícil. Não sei bem como explicar, mas
fui compelida a largar tudo o que eu tinha e apostar todas as fichas naquele
jovem e encantador rapaz.
Conversei
com meu chefe e ele disse que só precisava assinar alguns papeis que já estaria
tudo certo. Não achava que seria tão fácil. Hoje, depois de três anos morando
com Marcelo, o tal “fator inesperado”, finalmente compreendo o que meus colegas
queriam dizer quando diziam que eu era casada com o trabalho.
