quarta-feira, 28 de março de 2012

Statu quo


            Pensando na vida, só pra não perder o costume, acabei lembrando de alguns livros que andei lendo nos últimos 5 anos. Particularmente, veio-me à memória uma cena de um dos livros da série “Asteca” (não consigo lembrar se era do Orgulho ou do Holocausto), de Gary Jennings.
            A história se desenvolve em torno de um camponês mexica chamado Chicome Xochitl Tlilectic Mixtli – algo como “Nuvem Escura do dia 9 do mês flor” (isso mesmo, não reclame mais do seu nome) – que, no decorrer do livro, percorre os cantos mais longínquos do Império, passando de soldado a escriba e, finalmente, mercador. Em uma de suas viagens, ele descobre uma tribo (não me lembro do nome) em que, como ele próprio diz, “os habitantes se curvam sob o peso de seus nomes”.
            O sentido da frase é totalmente inusitado, pois ele quer dizer que os locais usavam placas de madeira penduradas no pescoço que identificavam seu nome, sua profissão, sua idade e diversas outras coisas, a fim de evitar perguntas “desnecessárias” vindas de outras pessoas.
            Lembrando essa frase, mas em um sentido diferente, parei para pensar sobre como nossa reputação pode se tornar pesada em nosso cotidiano. Uma atitude “inesperada” pode causar um grande estardalhaço. É só se lembrar daquelas cenas épicas em que uma pessoa considerada tímida solta aquela piada em sala de aula (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, hehe).
            Muitas vezes é por causa dessa fama que desenvolvemos que é tão difícil mudar nossas atitudes. Quando alguém começa a mudar de comportamento, facilmente é tachado de duas caras ou algo do tipo. Será que é tão estranho assim não permanecer o mesmo? Ou simplesmente esconder sua verdadeira personalidade por medo de parecer inconveniente? Decerto é mais conveniente à sociedade que haja um respeito ao statu quo.

 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Plenitude


Barulho... a conversa jogada fora se multiplica, sem nenhum objetivo ou objeto definido. Mundos são criados e destruídos nesses discursos de bar. As risadas vem com facilidade e lubrificantes sociais são consumidos com fluidez. Vozes se elevam sem necessidade, como que tentando sobrepujar outras vozes, estas interiores.
            Necessidade... vidas são construídas em torno desse conceito. A ética é definida por três perguntas (quero? Posso? Devo?), porém essa quarta também pode ser bem inconveniente às vezes. No meu caso atual, especificamente, não: quero alguém que seja mais do que uma amiga para mim, preciso disso, devo ser forte e superar minha timidez, posso fazê-lo?
            Silêncio... o que aconteceu com meu coração? Parece que parou. Olho à minha direita, forjando uma expressão que pretende parecer calma, feliz e segura. Não sei se a pude enganar e não sei se isso é bom ou ruim. Não quero que ela me veja triste e cheio de dúvidas, mas não lhe ser verdadeiro dói ainda mais. Convenço-me de que, afinal de contas, não estou sendo falso, já que, naquele momento, estou tão feliz quanto triste.
            Felicidade... finalmente me dou conta, depois de uma fração de segundo estando disperso, da razão de meu coração ter parado. Ela segura minha mão com um sorriso doce e sincero dançando nos lábios. Preciso descrever mais? Não. Posso? Sim. Quero? Não, minhas lembranças são o suficiente. Devo? Não necessariamente.
Plenitude... naquele momento, eu não precisava de mais nada. Não havia fome, não havia sede, não existia libido, nem carência. Seu olhar, com a sua pura simplicidade, alimentou todo o meu ser.
Paciência... tenha paciência, querida, por favor. Só me resta uma pergunta a responder, apenas mais um demônio a derrotar. Dê-me tempo para que eu possa ser a fonte da sua plenitude.

terça-feira, 20 de março de 2012

Falando grego




            Em uma dessas tardes suficientemente frescas pra serem chamadas de agradáveis, minha imaginação achou por bem se exercitar. De maneira coercitiva e nem por isso duradoura, pelo contrário, fugaz, fui ordenado a divagar sobre algumas expressões peculiares da língua a que se costuma chamar portuguesa.
            É notório, por exemplo, o disparate proporcionado pelas expressões “chá de fralda” e, cúmulo sacrílego, “chá de bebê”. Sem dúvidas, sob o olhar sereno da razão, dado nosso contexto cultural, expressões muito infelizes, esta última digna de uma sociedade canibal, digo, antropofágica.
            É evidente que o surgimento dessas figuras de linguagem tem a sua razão de existir, seu desenvolvimento histórico, passando por fases de aceitação e adaptação, etc, etc, etc. Todavia, a sensação de “alguma coisa está errada aqui” permanece.
            Na outra face dessa situação, é possível verificar palavras que inicialmente transmitiam grande serenidade e que acabaram ganhando um sentido muito desagradável em nossa sociedade. Por exemplo, o que dizer da palavra “eutanásia”?
            Alguém já parou para pensar no real sentido desse termo? O termo eutanásia significa literalmente “boa morte” e era usado pelos gregos para se referir à maneira mais desejável de se morrer (em geral algo rápido no campo de batalha, para os homens, ou uma morte tranquila e digna em casa, para as mulheres).
            É esse tipo de coisa que convence que, decerto, seria útil existir uma espécie de legenda em conversas (sim, mesmo nas de bar).

Primeiros Passos


            Creio que nesta primeira postagem seja prudente de minha parte responder a algumas perguntas silenciosas que se acumulam na mente dos que se aventuraram a ler este blog de nome, no mínimo, curioso.
            1ª consideração (intempestiva, ou não): não se preocupem, o nome não é aleatório. Na verdade, é uma expressão a qual, além de mostrar meu apreço por algumas partes de História da América, tenta demonstrar o apreço que lhe reservo, caro leitor. Mixpantzinco (sempre reclamaram comigo que era difícil de pronunciar, mas apenas se lê o “x” como “sh” e o “z” como “s”) é a expressão asteca de boas-vindas. Literalmente, significa “em sua augusta presença”.
            2ª consideração: gostaria de não fixar uma frequência de publicação de textos mas, pensando em diversas implicações disso, resolvi que seria prudente lançar algo novo a cada 15 dias, no máximo. Provavelmente a cada 9-10 dias.
            3ª consideração: da mesma forma, escrever esse blog também não foi uma decisão aleatória. Durante algum tempo, meus amigos (e quero dar ênfase especial aos senhores Fábio Lino de Freitas, Murilo Brasil, Eduardo Severino e Igor Augusto Zonta) me incentivaram a retomar uma atividade que eu havia praticamente deixado de exercer: escrever.
            Tornei a escrever, colaborando com o Homem à Moda Antiga (do Fábio), porém eu me sentia um tanto preso quanto aos assuntos dos textos e comecei a desejar um espaço mais personalizado para essa atividade que tanto me dá prazer. Só faltava a coragem para fazer um blog.
            O resultado, bom ou mau, está diante de seus olhos. Esse é o meu "contrato". Nem precisa assinar termos e condições de uso.